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terça-feira, 3 de abril de 2012

In The Mourning

*Antes de ler este post, recomendo que leia este aqui antes*


  Seres humanos são tão frágeis...
  Essa foi a conclusão que tirei nesses dois dias da minha vida.

  Minha madrinha piorou muito, depois que ela fez a cirurgia definitiva para tentar remover o tumor. A operação foi um sucesso, graças á Deus. Durou mais de 12 horas, mas correu tudo bem.
  Depois minha madrinha foi para a UTI, e lá ficou muitos dias. Os médicos deram uma previsão de que ela sairia de lá em 3 dias, mas sabe como previsões de estadia em UTIs são bem imprecisas. Quando fui visitá-la, seu rosto estava todo inchado e sua língua estava como se fosse presa entre os seus lábios. Ela só mexia os olhos, porém ela conseguia ouvir bem.
  Depois de um tempo ela saiu da UTI, e tive a chance de visitá-la no quarto. Para ser sincero, não vi muita diferença nela, ela desinchou um pouco, seus olhos estavam mais ativos, e quando a enfermeira passou, disse que ela estava estável. Ela tinha algumas febres, mas nada que não pudesse ser controlado. Isso foi dia 24 de Março. Depois eu não fui visitá-la mais, por causa de inúmeros trabalhos escolares que tive que fazer, nos quais, eu terminei em cima da hora.
  Eu me lembro bem, que esse fim de semana foi muito agitado para mim... Sábado tive inglês das 8 ás 10 da manhã e logo em seguida, dentista. Ás 3 da tarde fui para igreja ajudar a preparar a ceia judaica, fazemos isso para que as pessoas conheçam mais aprofundadamente como foi a Última Ceia. Cheguei em casa ás 10:30 da noite.
  Domigo foi Domingo de Ramos, a missa demorou muito e depois me enfiei no PC, determinado a terminar um relatório de uma aula prática.
  Foi nessa hora que a minha mãe me chamou e disse: Du, a gente vai no hospital visitar sua madrinha, você vai junto?
  Tristemente eu respondi: Desculpa mãe, queria muito, muito ir. Mas eu preciso terminar esse relatório hoje, ou pelo menos dar uma boa adiantada nele, para que amanhã eu não fique sobrecarregado.
  
  Mal sabia eu o que iria acontecer.
  Segunda-feira, dia 2 de Abril de 2012. Parecia um dia comum, como qualquer outro, acordei cedo, fui ao SENAI, porém algo começou a me incomodar quando um número desconhecido ligou no meu celular quando eu estava voltando para casa.
  Era a minha tia, ela disse que queria falar com a minha mãe, eu falei que não tinha como, pois eu não estava em casa. Em seguida ela disse que queria falar com meu pai, ela quis o número do celular dele, mas eu disse que ele estava trabalhando e onde ele trabalha tem uma política bem rígida sobre o uso do celular. 
  Apertei o passo.
  Cheguei em casa e imediatamente falei para minha mãe que a minha tia queria falar com ela. Foi questão de segundos para que os olhos dela enchessem de lágrimas então, foi uma reação em cadeia, eu não estava acreditanto no que eu ouvi.
  Minha madrinha morreu.

  Nesse instante, na minha cabeça, essa música começou a tocar.


  Me senti quebrado por dentro.
  Perdi a noção de tudo. Chorei, chorei e chorei. Minhas lágrimas caiam como uma chuva serena.
  E sabe o que foi pior, o velório. Eu chorei muito mais. Ver o corpo dela, imóvel, frio, naquele caixão, coberto de flores brancas era praticamente como se minha alma tivesse se partido em vários pedaços.
  O pior foi o grande remorso no meu coração. Eu tive a oportunidade de visitá-la, um dia antes de sua morte e não pude...
  
  Ela foi enterrada hoje. Ver seu sepultamento foi muito incômodo para mim... Colocaram seu caixão. depois tamparam com duas camadas de concreto, como se quisessem dizer de uma maneira bem rude: Ela morreu, pronto, acabou. Vocês não vão mais vê-la.
  Ontem eu falei pra Kibe, que não era para ela comentar com ninguém o que aconteceu comigo. Não quero que as pessoas finjam ser legais comigo só por causa da morte da minha madrinha e depois me tratem feito merda no dia seguinte. 
  Não fiquei surpreso de saber que ninguém sentiu minha falta - além de meus amigos. E quem me viu hoje na escola, pareceu que tudo estava bem. O que me faz concluir que consegui colocar uma máscara e que esta foi bem colocada, esta arrasado por dentro, porém sorrindo como sempre sorri.

  Durante o velório, o que me fez chorar muito foi quando minha prima, e filha da minha madrinha me abraçou e disse: Ela gostava tanto de você... 
  Minha mãe também disse a mesma coisa, disse que se ela tivesse condições, ela pagaria meus estudos. E ela também disse que se tinham uma coisa que meu falecido avô e minha madrinha mais queriam nessa vida, era me ver formado.

  Lembro muito bem de duas passagens bíblicas que estavam escritas atrás de seu caixão...

Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. Eclesiastes 12:6,7

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isso? João 11:25,26

Madrinha, esteje onde estiver, que você seja feliz...

10 comentários:

  1. Meu querido, não sei muito o que dizer. Só desejo qeu vc e sua família sejam confortados dia após dia. É uma dor grande, sei bem.

    Falar sobre a morte, apesar de ter sido tema em duas postagens recentes lá no Umas e outras, não é muito fácil pra mim.

    Beijos em seu coração...

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    1. Oi Joicy!
      Sim, estamos tentando continuar com a vida, apesar de ser muito difícil, mas estamos tentando n_n
      bjs

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  2. Oi Eduardo,

    Só posso te dizer, força sempre porque essa dor é solitária e tem o tempo dela.

    Beijos.

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    1. Obrigado Luciana por suas palavras n_n
      bjs

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  3. Eduardo, força! Seu coração deve estar apertado. Confie que se ela morreu no Senhor,voltarás a vê-la.

    Suzi

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  4. Nossa, Eduardo.
    Que triste D=
    Sinto muito pela sua madrinha.
    Mas pelo menos soube que ela te amava muito, e se você ama muito ela também, nunca irá esquecer ela, pois no seu coração ela sempre estará viva.
    Boa sorte nesse tempo Edu.
    As coisas vão melhorar. ^^

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    1. Muito obrigado por suas palavras Karina! Muito obrigado, mesmo...
      bjs

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  5. Eduardo, meus pêsames. Que Deus possa te ajudar e confortar você e sua família. E que o tempo feche essa ferida no seu coração.
    Não é fácil perder alguém próximo de nós, já passei por isso. Mas peço a Deus que te ajude.
    Beijos.

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    1. Obrigado por suas palavras Melyssa, estou rezando em dobro para Deus...
      bjs

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